A Dança como aliada no tratamento do Câncer

Em um primeiro momento, pode parecer estranho pensar na Dança como aliada no tratamento do Câncer.

Inclusive, durante muito tempo acreditava-se que pacientes de doenças crônicas como o Câncer deveriam fazer repouso.

Porém, inúmeros estudos já comprovaram que praticar  atividades físicas  é fundamental não só para prevenir o Câncer, como ajudar a dar qualidade de vida durante o tratamento, amenizando a fadiga oncológica e muitas vezes aliviando o estado depressivo das pacientes oncológicas.  E em alguns casos, podem  até mesmo frear o  avanço do Câncer.

Se você acha que estou exagerando, saiba que a prática de atividade física está associada a um menor risco de desenvolver 13 tipos de câncer, segundo estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine.

A pesquisa, realizada Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, analisou 1.4 milhão de participantes em onze anos, relacionando a atividade física com a incidência de 26 tipos de câncer. Foram constatados mais de 186 mil casos da doença entre os participantes.

Os resultados apontaram que uma vida mais ativa está associada a um menor risco no desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer: câncer de esófago (42% menor risco); fígado (27%); pulmonar (26%); rim (23%) ; estômago (22%); câncer de endométrio (21%) ; leucemia mieloide (20%) ; mieloma (17%) ; cólon (16%); cabeça e pescoço (15%) , retal (13%) ; bexiga (13%) ; e de mama (10%). Em média, pessoas mais ativas são 7% menos suscetíveis a desenvolver a doença.

E se você  é sedentária e está se perguntando o que você poderia fazer para iniciar uma atividade física. Eu sugiro que você busque uma atividade prazerosa, como a dança, por exemplo.

Recentemente eu comecei a fazer aulas de Salsa, Bachata e Zouk e estou amando!

Mas hoje eu quero compartilhar a História da Adriane que encontrou na dança do ventre uma forte aliada na sua reabilitação pós câncer!

Como a Dança me ajudou no pós tratamento do Câncer

Por Adriane Pereira

A Dança como aliada no tratamento do Câncer

“A palavra dança é de origem controversa, provavelmente do idioma Francês, danse. Surgiu no Século XIII.

Por sua vez, a dança do ventre é praticada em diversas regiões do Oriente Médio e da Ásia Meridional.

Sua origem tem por volta de 7000 a 5000 a.C e pode ser encontrada no  Antigo Egito, Babilônia, Mesopotâmia, Pérsia e Grécia.

Seu objetivo era preparar a mulher através de ritos religiosos dedicados a deusas para se tornarem mães. Com a invasão dos árabes, a dança foi propagada por todo o mundo.

A minha relação com a dança começa na infância. Filha de nordestinos, as festas familiares não ocorriam sem que houvesse música. As remotas lembranças que tenho deste período incluem meus pais dançando forró e foi este o primeiro ritmo que aprendi.

Por muitos anos acalentei o desejo de fazer aulas de dança em uma escola, mas sabe aquele desejo que você vai adiando, adiando?

Até que chegou o dia de realizá-lo. No meu caso isso ocorreu depois de uma fase crítica.

Durante o tratamento quimioterápico e radioterápico eu havia decidido colocar mais alegria e leveza na minha vida .

E foi essa uma das primeiras ações que realizei após o tratamento matriculando-me nas aulas de dança de salão na cidade de Londrina.

A princípio frequentei as aulas uma vez por semana e depois passei a frequenta-las três vezes na semana e isso se tornou viciante para mim.

Ao me mudar para Porto Alegre em 2011 não encontrei uma escola próxima de casa. Mas achei uma perto do trabalho na qual o único horário que se adequava a mim seria na aula de dança do ventre.

Na época, em Londrina, esta modalidade não era tão difundida, mas em Porto Alegre sim. Durante uma aula a professora nos explicou que começaríamos a ensaiar determinada coreografia para nos apresentar no final do ano.

Esta foi minha última aula naquela escola. Era inimaginável para mim me apresentar em público. Talvez esse desconforto tenha surgido quando eu tinha por volta de 8 anos e fazia ginástica rítmica, sendo que no dia da apresentação deixei a bola cair.

Fiquei um bom tempo aterrorizada com a ideia de me apresentar. O engraçado é que não tenho qualquer problema para falar em público, mas na dança me sentia exposta demais.

O problema era que não conseguia mais passar meus dias sem aulas de dança até que meses depois conheci a escola Gawasy, mais próxima de casa, e, então pude realizar esse desejo.

Familiarizei-me tanto com as colegas de aula, com a professora Egnes,fundadora da escola, a qual tenho muita gratidão, que comecei as aulas e não queria parar mais.

O mais interessante é que após uns dois meses de aula iniciamos o ensaio de uma coreografia e ela nos convidou para fazer uma apresentação no final do ano nos deixando a vontade para aceitar ou não.

A ideia me parecia assustadora, mas queria muito vencer o desafio e dessa vez não fugi.

A Dança como aliada no tratamento do Câncer

Na noite anterior à apresentação eu praticamente não dormi. Fazer o quê?

A ansiedade era maior e o medo de passar ridículo era enorme! Mas passar ridículo às vezes faz parte do aprendizado.

Aqui vale uma dica: às vezes, se durante uma apresentação você se mantem sorrindo, o público nem percebe o erro cometido ou ainda percebe-o, mas respeita a bailarina que está no palco.

Nós é que somos rígidos demais na maioria dos casos.

A dança é fonte de prazer e principalmente um meio que tenho para desenvolver a leveza.

Historicamente falando, a dança do ventre era predominantemente feminina.

Hoje já é executada por homens, contudo é importante esclarecer que o ritmo Said, executada com bastão ou bengala, era dançado pelos homens (pastores) quando precisavam ir para a guerra e deixavam as mulheres executando as tarefas.

Há vários ritmos de dança do ventre, entre eles: baladi, said, derbake, khalegee, entre outros.

Com uso ou não de acessórios, dependendo do ritmo a ser dançado, como a espada, snuj, cobras, véu, taças, candelabro, etc. Cada um com características e culturas próprias.

Vale salientar que a dança do ventre era realizada pelas mulheres com intuito de despertar o feminino, o sagrado, a fertilidade.

Acho importante compreender o verdadeiro sentido da dança que vai muito além de uma dança sensual como se pensa equivocadamente.

É importante eu comentar que a Dança do Ventre exige domínio e conhecimento do corpo. O qual só é adquirido com a prática.

Enfim, a Dança do ventre é uma dança que gera bem estar e resgate da autoestima, justamente por que proporciona a autovalorização da feminilidade.

A Dança como aliada no tratamento do Câncer

 

A Dança como aliada no tratamento do Câncer

Os benefícios que a dança proporciona são inúmeros.

Conheça algumas curiosidades e os maiores benefícios da dança do ventre:

Amizade

A amizade cultivada durante as aulas vai muito além das mesmas.

Autoconfiança

A prática permite desenvolver a autoconfiança diante dos obstáculos vencidos.

Autocuidado

É possível desenvolver o senso de autocuidado, atenção e carinho consigo mesma.

Cultura

A dança do ventre pode ser realizada por puro prazer. No entanto, é inevitável passarmos a conhecer com mais profundidade a cultura da qual ela faz parte.

Divertimento

A realização de atividade prazerosa para si por si só no meu ponto de vista é lúdica e curativa.

Estética

Dança do ventre dá barriga? Não. Muitas bailarinas notam mudança positivas no corpo, desde emagrecimento até tonicidade dos músculos e melhora na circulação sanguínea dependendo da frequência com que a atividade é realizada e o organismo de cada pessoa.

Ferramenta

A dança do ventre tem sido utilizada por grupos de estudo para o resgate da autoestima de mulheres que estão em tratamento ou já tiveram câncer como é o caso da UNESP em Botucatu (SP) e a ONCODANCE que realiza oficinas gratuitas em Porto Alegre (RS).

Idade

Qualquer pessoa pode fazer dança do ventre. Não há limite de idade para ser feliz, por que haveria de ter limite para dançar?

Individualidade

Cada um tem seu próprio ritmo e se apresenta na dança de modo particular, logo é preciso respeitar-se acima de tudo.

Interação

As aulas em grupo permitem desenvolver senso de amizade e superação, pois conforme a coreografia a aluna pode apresentar dificuldades particulares a serem superadas, bem como o grupo como um todo tem um nível a ser alcançado. A superação de cada uma gera sucesso grupal e o resultado é conjunto (senso de equipe).

Leveza

Durante o tratamento havia definido colocar mais alegria e leveza na minha vida. E a dança foi a atividade escolhida para dar o start inicial deste que é um projeto de vida para mim.

Eu dançaria todos os dias da minha vida se pudesse. Sinto imenso prazer na dança e embora não seja uma bailarina profissional sinto meu coração pulsar ao ouvir a música. Só isso já me faz um bem enorme.

Liberação de endorfina

Por ser um exercício aeróbico ajuda no condicionamento físico . Além disso a liberação da endorfina é relaxante.

Movimentos corporais

Os movimentos realizados exigem atenção, concentração, domínio do corpo e delicadeza. Com a prática ao longo dos anos os movimentos vão sendo aperfeiçoados.

Mulheres árabes

As mulheres árabes não podem se apresentar em público. Salvo as bailarinas, pois esta profissão é vista em muitos países como prostituição. Elas dançam em festas familiares entre amigas ou mesmo para seus maridos.

A dança na cultura árabe não é aprendida em escolas como no mundo ocidental já que faz parte da cultura familiar e todas a praticam privadamente, principalmente em comemorações.

Percepção física/corporal

Com o desenvolvimento da dança pode se adquirir maior percepção do próprio corpo e dos limites corporais.

Percepção mental e emocional

Ao longo do treinamento é possível identificar as reações emocionais e mentais diante das aulas. Pude perceber momentos de resistência ao exercício ou de sensação de capacidade ou incapacidade.

Tudo pode ser utilizado como laboratório de auto-pesquisa e desenvolvimento pessoal.

Saúde

Além dos benefícios já citados, vale lembrar que a dança do ventre como o próprio nome diz exige movimentos ondulatórios executados pelo ventre sendo que há relatos de mulheres de que após o treinamento sentiram diminuição das cólicas menstruais e TPM.

Além disso, antigamente a dança era usada como ferramenta para auxílio na gestação.

Sentimento

Permite explorar e manifestar os sentimentos uma vez que de acordo com o ritmo, música escolhida e coreografia, o movimento executado exige demonstração de sentimento compatível.

Ao longo do treinamento é possível tomar consciência da emoção a ser trabalhada.

As considerações feitas aqui fazem parte da minha experiência pessoal, assim espero ter contribuído de algum modo em relação a dança como atividade lúdica e fonte de autocuidado, saúde, bem estar e leveza.

Você já se permite incorporar a dança a sua vida?”

A Dança como aliada no tratamento do Câncer

Faço das palavras da Adriane, as minhas! Afinal, não importa se é dança do ventre, salsa, dança de salão, ou forró… Quem dança seus males também  espanta!


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4 Comentários


  1. Eu tô graças a Deus e ajuda de você eu estou me recuperando bem e com muita vontade de viver dança e a música ela é importante prámim eu fiz curso de instrutor de Zumba e tive que parar pois estava em tratamento é agora me sinto forte e o quanto antes quero voltar​ a dar minhas aulas.


  2. Não gosto de dança! Porém faço 30min. De caminhada todos os dias! E Pilates 2x na semana. Amooooo. <3

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