Criopreservação de Ovário: uma nova esperança à infertilidade de mulheres pós quimioterapia

A Criopreservação de Ovário oferece uma nova esperança à mulheres com câncer que se tornarão inférteis durante o tratamento de quimioterapia.

Depois do diagnóstico de um câncer, saber que um dos efeitos colaterais do pacote de tratamentos que eu teria pela frente seria a infertilidade foi a segunda pior notícia que recebi .

Hoje, superado esse drama, sei o quanto ele afeta mulheres, especialmente jovens recém diagnosticadas com câncer, que vêem o sonho da maternidade adiado ou até mesmo anulado por conta da quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.

 No entanto, existem algumas pesquisas, como a  criopreservação de ovário, que oferecem uma nova esperança,  possibilitando que mulheres em idade fértil, que irão passar pela quimioterapia , preserve o tecido do ovário para que este, depois do tratamento seja reimplantado e ela volte a ovular.

A minha amiga do peito Carinne, 28 anos, realizou esse procedimento e vai explicar como funciona  a criopreservação de tecido ovariano, que fez agora em 2015.

(Carinne já contou pra gente sua história com o câncer de mama aqui caso ainda não tenha lido.)

E como tudo na vida  é temporário e realmente passa, hoje ela vem falar sobre essa pesquisa  científica na qual ela faz parte e  que normalmente tem  mais de 90% de chances de sucesso!

Com vocês, Carinne:

Jamais, em tempo algum, posso fazer indução hormonal, porque o câncer que eu tive era positivo para hormônios!  Após as quimioterapias, já dei início ao tratamento hormonal  (hormonioterapia), com comprimidos diários de Tamoxifeno (o tão temido, rsrs).

Meu corpo foi voltando todo ao normal como antes e, mesmo tomando o tamoxifeno (tomei por 9 meses apenas), minhas taxas hormonais também voltaram ao normal.

Eu comecei a menstruar normalmente, o que não era esperado porque o tamoxifeno age bloqueando os receptores hormonais. E hormônios para mim hoje são riscos desnecessários.

Então como, infelizmente, esse medicamento não deu muito certo para mim, meu oncologista decidiu modificar a medicação, para me induzir à menopausa precoce, com a combinação do Arimidex com o Zoladex (super mais temido que o tamoxifeno! rsrs).

Como eu já estava menstruando normalmente, fertilidade normal e etc, surgiu a oportunidade de agora sim preservar essa fertilidade (antes de entrar na menopausa precoce).

E aí aconteceu uma coisa maravilhosa! Meu médico oncologista é um dos melhores professores e pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará). Ele me indicou um dos médicos da universidade que estava iniciando uma pesquisa para ajudar mulheres com câncer a preservar a fertilidade, congelando o próprio tecido ovariano (e não os óvulos em si), sem indução hormonal, portanto.

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Me consultei com esse médico e ele disse que meus ovários foram “highlander” por terem se recuperado tão bem e rapidamente após as quimioterapias. A pesquisa dele preserva o ovário das mulheres férteis antes de iniciarem a quimioterapia, logo após o diagnóstico de câncer.

Meu caso foi diferente, porque eu já tinha passado por todo o tratamento, mas ele disse que minhas taxas hormonais estavam super normais e que eu era uma ótima candidata, principalmente por ser bastante jovem.

Então, em 6 dias, eu já estava na mesa de cirurgia! Um pedaço do meu tecido ovariano foi retirado e congelado (criopreservado) para ficar lá o tempo que for necessário.

Quando eu estiver livre de qualquer risco de recidiva do câncer de mama e meu oncologista me liberar de todo o tratamento hormonal que faço hoje (e farei por uns 5 ou até 10 anos), esse tecido ovariano que está congelado pode ser reimplantado em mim, fazendo meus ovários retomarem a atividade.

Daí eu vou sair da menopausa precoce que foi induzida pelo Zoladex, voltarei a ovular e poderei engravidar normalmente, naturalmente. =)

O bom é que o tecido ovariano que está congelado preserva a idade que eu tinha na cirurgia (29 anos), no auge da fertilidade da mulher, o que é um fator muito bom para dar tudo certo depois no reimplante e na recuperação das atividades ovarianas.

Mas pode até ser que eu nem precise desse reimplante, porque meus ovários podem voltar a funcionar normalmente sozinhos.”

Estamos na torcida, Carinne!

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Aqui vocês poderão assistir algumas reportagens bastante esclarecedoras sobre o congelamento do tecido ovariano paras mulheres com câncer:

Reportagem Jornal Hoje – Reportagem Principal:

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-hoje/t/edicoes/v/tecnologia-permite-que-mulheres-com-cancer-engravidem-no-futuro/4242992/

Entrevista:

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-hoje/t/edicoes/v/medico-fala-sobre-tecnica-de-congelamento-de-tecidos-de-ovario/4242500/

Globonews:

http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/v/banco-congela-tecido-de-ovario-de-mulheres-que-vao-passar-por-tratamento-de-cancer/4243507

1 comentário


  1. Nossa super interessante! Foi pago algum valor para fazer esse procedimento? Estou nesse mesmo “barco” tive que começar a quimioterapia com urgência, não tive tempo de congelar meus óvulos. Gostaria de ter mais informações meu email é taly.dressa@gmail.com. mto obrigada

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