“Nunca deixei que o Câncer me tivesse. Criei várias estratégias para quebrar a cara do Linfoma de Hodgkin.” Marcelle Costal

Receber o diagnóstico de um câncer é sem sombras de dúvida, o momento mais difícil de quem teve que enfrentar um. O sentimento de impotência, o medo, a angústia e a dor são os mesmos,  independente se o diagnóstico é Câncer de mama, ou Linfoma de Hodgkin, ou qualquer outro nome… Câncer é câncer!

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E quando descobrimos que estamos com câncer,  temos que encarar a verdade que fingimos não existir: Vamos morrer!

Sim, a primeira coisa que pensei quando eu recebi a notícia que eu tinha um câncer, depois que me acabei de tanto chorar,  é que não queria morrer! Não conseguia pensar  em nada além da morte.

O câncer nos faz encarar a nossa finitude e isso é assustador! Mas pode ser transformador também…

Inevitavelmente, avaliamos nossa vida, o que estamos fazendo com ela; nossos relacionamentos, quem realmente está conosco, queremos  colocar em prática o amor que sentimos, pensamos com mais intensidade como  fazer a nossa vida valer à pena, aprendemos muitas coisas sobre a vida e sobre nós mesmas…

Sempre digo que mesmo que a gente não tenha escolhido ter um câncer, podemos decidir como vamos passar por ele. E a Marcelle venceu um linfoma de Hodgkin com maestria. Ela venceu o Hodgkin, quatro dias depois do diagnóstico, quando decidiu ser “Celle Corajosa” e criou um blog para ajudar outras amigas de destino. ( www.cellecorajosa.blogspot.com)

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Antes, durante, depois

Me sinto privilegiada por ter convivido com a Celle durante o meu tratamento, e  tê-la conhecido pessoalmente, aprendi muito  sobre coragem com a história dela que agora quero compartilhar com vocês.

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Eu e Celle

Com vocês, minha amiga Celle:

Olá!

Meu nome é Marcelle Costal tenho 25 anos e sou atualmente uma Cabeludíssima e carioquíssima.

Faltando um mês para o meu casamento em setembro de 2013, senti fortes dores abaixo da mama direita e fui para emergência. Lá ficou constatado que eram dores de gases e se persistisse era para voltar. As dores passaram meu casamento chegou, foi tudo lindo!

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Contudo, logo a após a lua de mel as dores voltaram e cada dia doía mais naquele mesmo lugar, principalmente se eu bebesse uma cervejinha. Mas, o que me levou ao médico em março do ano seguinte foram umas manchas avermelhadas na pele com coceiras e logo que a dermatologista viu me passou uma chapa e uma tomografia e me encaminhou para um pneumologista.

Ali com o pneumo ficou constatado que se tratava de um tumor ósseo no quinto arco costal, e o mais engraçado de tudo é que meu sobrenome é Costal. Já no onco-ortopedista demos a entrada na biópsia cirúrgica e no dia 6 de junho de 2014 descobrimos o Linfoma de Hodgkin em uma apresentação rara no osso com esclerose nodular.

Quando recebi a notícia, lá estava a minha família e uma grande equipe e todos me deram muita força para que o choro fosse breve e que a coragem trouxesse junto consigo dias de luta, mas dias muito mais felizes!

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Eles me ensinaram a lembrar mais sobre a esperança com suas palavras de fé. A minha reação passado aquele pequeno momento triste não poderia ser outra senão a alegria e a coragem de lutar e fazer com que essa experiência sofrida fosse também cheia de sorrisos e que pudéssemos espalhar essa boa nova para quantos mais estivessem passando pela mesma estrada.

Quatro dias depois virei a “cellecorajosa” e fiz um blog para ajudar a levantar a auto estima dos meus amigos e dar uma sacudida na coragem de cada um.

Nunca deixei que o câncer me tivesse, dancei, cantei, como uma boa carioca sambei. Criei várias estratégias para quebrar com a cara do Linfoma de Hodgkin. Sorri muito mais do que chorei e isso foi uma das coisas que tenho aprendido com o câncer! Eu andava careca, cheia de acessórios e maquiagem para contagiar os demais a se cuidarem também na doença.

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Tive ao meu lado todos os dias a minha mãe o meu pai que se desdobravam de sua casa e estiveram me dando apoio diário e em todas as minhas quimios, a minha irmã que é minha melhor amiga, meu esposo sempre tão cuidadoso, vó, tios e bons amigos!

Penso que todos nós temos a coragem dentro de si para viver bem apesar do sofrimento, basta escolher buscá-la. Acredito que está é a mensagem que passei durante todos esses seis ciclos do protocolo ABVD.

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Essa atitude que tomamos frente à doença tornou tudo mais leve e no dia 13 de maio de 2015, dia da minha intercessora Nossa Senhora de Fátima, com cinco meses sem quimioterapia recebemos a remissão do médico! Sim temos que desmistificar a doença!

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3 Comentários


  1. Oi, faço parte da paróquia nossa senhora da conceição de Ramos. Você já esteve conosco dando um testemunho para nos. Gostaríamos de ter contato com você. É possível?
    Muito obrigada.
    Deus te abençoe.


  2. Oi Cele boa noite. Muito legal de sua história. Minha irmã tem 19 anos e tratou 6 meses como se fosse tuberculose com remédios fortíssimos e a 3 semanas atrás discutirmos que ela está com linfoma de hodking. Ela está ainda respirando com aparelhos no Cti e ela ainda não sabe. Mas temos muita fé. Assim que ela souber vou mostrar seu blog para ela. Obrigada bjs

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