Câncer e Autoestima: como gostar da sua aparência durante o tratamento

Câncer e autoestima são dois nomes que dificilmente são ouvidos juntos em uma mesma frase…

Até porque, durante o tratamento, passamos por várias mudanças físicas, psicológicas e emocionais. São grandes reviravoltas, tanto em nossos hábitos e rotina quanto em nossas relações sociais. No meio desse turbilhão, separar o câncer de si mesma, da sua essência e nutrir uma autoestima saudável parece quase impossível.

Se tratando de aparência, é inevitável não a enxergar como um espelho de tudo o que está acontecendo conosco. 

Quero contar para vocês a minha experiência na jornada de cura do câncer e recuperação da autoestima, bem como meus conselhos para fortalecê-la, todos baseados no que vivi, no que minhas alunas viveram e em algumas pesquisas.

Entendendo como o câncer afeta a autoestima

Ao falar de autoestima, precisamos primeiro entender exatamente o que ela significa: segundo o dicionário, autoestima é a “qualidade de quem se valoriza, está satisfeito com seu modo de ser, com sua forma de pensar ou com sua aparência física, expressando confiança em suas ações e opiniões.”.

Durante o câncer, devido aos sintomas da doença e dos tratamentos quimioterápico e radioterápico, a aparência física, que é uma das camadas da nossa autoestima, é diretamente afetada.

A perda ou ganho de peso, as alterações na pele e a queda dos pelos do corpo fazem com que não nos reconheçamos ao olhar no espelho, afetando nossa identidade e a forma como outras pessoas nos vêem também, já que em alguns níveis da doença e do tratamento, nossa aparência muda de forma a nos lembrar e a lembrar aos outros que estamos doentes.

Como lidar com a baixa autoestima durante o tratamento do câncer

Desde a aceitação e o auto cuidado até a busca pela companhia de um animalzinho de estimação ou o uso de meios alternativos, são várias as formas que podem ser utilizadas para lidar com a baixa autoestima nesse momento. Confira um pouco mais sobre isso abaixo:

Aceitação

Eu diria para você tentar se ver além do que você vê. Pare e pense: durante a vida, já mudamos de aparência várias vezes, cortamos e pintamos os cabelos, fazemos maquiagem, emagrecemos, engordamos e às vezes fazemos academia ou procedimentos estéticos.

Claro que muitas dessas alterações estão relacionadas à vaidade, mas porque não diminuir o peso em nossos ombros e enxergar essas novas mudanças físicas como parte de uma nova fase da vida? Uma fase difícil, mas não insuperável.

Autocuidado

Como disse, nossa aparência vai mudando ao longo do tempo, transmitindo nossa identidade e estilo de vida. Mas, além disso, a aparência pode refletir a nossa saúde.

Uma forma de equilibrar câncer e autoestima é na manutenção dos cuidados com a saúde, além dos tratamentos tradicionais oncológicos como a radio e a quimioterapia. O autocuidado foi uma coisa que levei muito a sério durante a doença. 

Eu fazia exercícios físicos sempre que podia (e conseguia), era regrada com a minha alimentação, focando em comidas nutritivas; bebia muita água, hidratava a pele, passava protetor solar e reduzia o estresse (que tanto afeta a nossa aparência) tentando me distrair sempre que os sintomas apareciam. 

Recomendei essa atenção diária também às minhas alunas e elas notaram a diferença, viu?

Amigo de quatro patas

Sim, eu sei que o sistema imunológico de quem está com câncer fica baixíssimo mas, com certos cuidados, é possível SIM manter o seu bichinho de estimação ao seu lado! 

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Não dizem que o cão é o melhor amigo do homem? | Foto: Giphy.com.

Todo mundo já ouviu a história de que animais podem ser terapêuticos e ajudar no tratamento de pessoas doentes, gerando bem-estar e espantando os sentimentos ruins.

E isso não é da boca pra fora, os primeiros registros de estudos científicos sobre o assunto datam lá de 1860, e hoje contamos com a Terapia Assistida por Animais (TAA), que conta com médicos e outros profissionais presentes para garantir que seu bichinho esteja sempre limpinho, não te morda e nem te arranhe, evitando infecções.

O carinho de um cão ou de um gato, por exemplo, vem sem se importar com detalhes como cabelos, unhas cumpridas e pele hidratada. É um amor puro que faz com que a gente se sinta amada independente de tudo.

O Guga, meu cãozinho que infelizmente não está mais aqui, foi meu companheiro durante o tratamento e essencial para a minha autoestima.

Meios alternativos

Um meio complementar de equilibrar câncer e autoestima é através de uma “manutenção estética”, eu diria. Essa manutenção é uma forma de esquecermos um pouco que estamos doentes e turbinarmos a nossa confiança. E quando restabelecemos esse pilar, ficamos mais fortes para enfrentar o tratamento oncológico.

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Você precisa ser sua maior motivadora. | Foto: Giphy.com.

Além de “olhar para dentro” há algumas maneiras mais diretas de reforçar a autoestima:

  • Usar um lenço ou turbante na cabeça (esse é um clássico);
  • Colocar uma peruca;
  • Usar acessórios bonitos;
  • Fazer uma maquiagem (com orientação médica para evitar alergias);
  • Fazer reconstrução mamária e desenhar os mamilos (em casos de câncer de mama);
  • Passar hidratante;
  • Passar um perfume gostoso (quando não em áreas sensíveis pelo tratamento);
  • Colocar uma roupa legal.

Recuperando a autoestima durante e após o tratamento de câncer

Como pode ver, durante o meu tratamento contra o câncer, eu aprendi o quanto desenvolver hábitos saudáveis e de autocuidado são essenciais na estrutura da nossa confiança e autoestima.

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Continue se cuidando. | Foto: Giphy.com.

Mesmo hoje, curada, mantenho esses hábitos na minha vida. Claro que, de vez em quando, me permito comer uma besteirinha, mas, no geral, me mantenho atenta aos meus hábitos, com a certeza de que estou fazendo isso para o meu bem. Isso aumenta o meu senso de controle sobre mim, meu corpo e meu emocional.

O papel da suporte emocional para autoestima durante o tratamento

Eu fiz tantas amizades incríveis durante o câncer! As minhas queridas Amigas de Destino me mostraram que eu não estava sozinha e aquele sentimento de “estar de fora”, de “não pertencer” caiu por terra. Quando estava com as minhas amigas, a relação entre câncer e autoestima era mil vezes mais fácil.

É claro, na companhia da nossa família, de bons amigos e de um psicólogo atento às nossas questões emocionais, nossa recuperação é bem mais tranquila. Mas um grupo de apoio é fundamental para que você pare de se sentir um E.T. Então, que tal mantê-los mais perto?

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Você não está sozinha. | Foto: Giphy.com.

Bom, esse foi um resumo de tudo que eu aprendi sobre autoestima em pacientes com câncer. No meu blog, muito além de reflexos sobre câncer e autoestima, trago métodos de cuidado mais diretos como a alimentação anticâncer que desenvolvi em parceria com a minha amiga nutricionista oncológica. Clique aqui e confira meus livros que abordam todos estes assuntos também!

 

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